COM LICENÇA, TÔ POETIZANDO A VIDA!...

Prosas, crônicas, poesias e o melhor de Patos de Minas! Aqui tem um pouco de tudo e com muito bom humor... Se você chegou até aqui, prepare-se para se comunicar... Pode entrar... a casa é sua! [soniamel@gmail.com]

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Terra Blog

Arquivo de: Outubro 2007

24.10.07

ComLicença para a Rosa de Hiroshima

A rosa de Hiroshima

Vinícius de Moraes



Pensem nas crianças
Mudas telepáticas
Pensem nas meninas
Cegas inexatas
Pensem nas mulheres
Rotas alteradas
Pensem nas feridas
Como rosas cálidas
Mas oh não se esqueçam
Da rosa da rosa
Da rosa de Hiroxima
A rosa hereditária
A rosa radioativa
Estúpida e inválida
A rosa com cirrose
A anti-rosa atômica
Sem cor sem perfume
Sem rosa sem nada


23.10.07

ComLicença pra sensibilidade da Águida Hettwer...

Mais uma vez a poetiza Águida nos brinda com a sensibilidade de suas palavras... Parabéns, Aguida... Que você continue essa pessoa inspirada, disposta a colorir nossos dias com  a magia que emana de sua poesia...

Bjks da amiga Sônia Amélia.

Pessoas e pessoas

[Águida Hettwer]





Pessoas passam em nossas vidas,

Algumas são superficiais,

Imóveis e sem perfume, feito flores artificiais,

Não transmitem nada além de seus egos inflamados.



Outras, porém, vão além,

Deixam marcas profundas,

Alimentam a alma com amor,

Edificam moradas eternas.



O coração é um colecionador de sentimentos,

Sensível e frágil sabe identificar esses seres

Especiais, cuja missão na terra,

Vieram para realçar a beleza da vida.



Pessoas, com letra maiúscula,

Sabem surpreender e acarinhar,

Sem fazer esforço, pois são ímpares,

Em tudo que fazem.



Pessoas especiais deixam rastros de saudades,

Por onde passam,

Nem mesmo o efêmero tempo,

Pode extinguir.



Ao lado delas o dia transforma-se

Em perfeita harmonia com a natureza e a vida,

Num colorido especial.



ComLicença pra Boemia Triste de Olegario Mariano.

A Boemia Triste


[Olegário Mariano]


Éramos três em torno à mesa

Três que a vida na sua trama de ilusões urdida

Juntou no mesmo afeto e na mesma viúves,

Um músico, um pintor e um poeta.



Éramos três...

O primeiro falou:

“Veio da melodia de um noturno

a mulher que me fez triste assim

amei-a como se ama a fantasia e ela, sendo mulher,

fugiu de mim.

Hoje minh’alma é um piano adormecido

que mão nenhuma acordará talvez

É por isso que vivo incompreendido e sou mais desgraçado que vocês.”


Disse o segundo:

“Meu amigo, a sorte não sei dos dois para qual foi pior.

A mim levou-me a morte o que eu tinha na vida de melhor:

a força, a graça, o espírito, a beleza, a estátua humana olímpica e pagã...

espelho natural da Natureza, nota da flauta mágica de Pan.

Morreu com ela a vida, a luz, a cor, manhã de sol e tarde de ametista,

todo delírio de um impressionista,

a paleta e a esperança de um pintor.”


Fez-se um grande silêncio em torno à mesa...

Silêncio de saudade e de tristeza...

O terceiro baixou os olhos devagar...

Disse um nome baixinho e não pôde falar.



Olegário Mariano Carneiro da Cunha nasceu na cidade de Recife, Pernambuco, a 24 de março de 1889. Faleceu no Rio de Janeiro a 28 de novembro de 1958. Membro da Academia Brasileira de Letras. Publicou: gelus, edição do autor, 1911; Sonetos, edição do autor, 1912; Evangelho da sombra e do silêncio, edição do autor, 1912; Água corrente, Pimenta de Melo & Cia., 1918; Últimas cigarras, ed. Pimenta de Melo & Cia., 1920; Castelos na areia, Pimenta de Melo & Cia., 1922; Cidade maravilhosa, Pimenta de Melo & Cia., 1923; Ba-ta-clan, Benjamin Costellat & Micolis editores, 1924; Canto da minha terra, Pimenta de Melo & Cia., 1930; Destino, Editora Americana, 1931; Teatro, Cia. Editora Nacional, 1932; Vida, caixa de brinquedos, Editora Guanabara; O enamorado da vida, Editora Guanabara, 1937; Da cadeira 21, Editora A Noite, 1938; Quando vem baixando o crepúsculo, Livraria José Olympio, 1945; A vida que já vivi, Portugália, Lisboa, 1945; Cantigas de encurtar caminho, Livraria José Olympio Editora, 1949; Tangará conta histórias, Editora Melhoramentos, 1953; Correio sentimental, Livros de Portugal; Toda uma vida de poesia, 2 volumes, Livraria José Olympio Editora, 1957.

15.10.07

ComLicença pra lançar meu grito...

Tentei ser louco

e entoar meu canto rouco

pra ver se voce me percebia...

Quis ser bicho

pra te machucar

tanto quanto voce me feria

Mas voce não ligou pro meu samba

Nem pra minha falsa alegria...

[Sônia Amélia]

ComLicença para saudar o horario de verão...

Não... Eu também me ressinto do horário de verão... Ainda mais que em plena segunda já se exigia do meu corpo o esforço de aceitá-lo...

Também briguei com o despertador, dilatando em 15 minutos o horário de acordar a cada toque...

Mas ele existe e, contra ele não há reclamação que dê jeito...

Portanto... que venha... E que nos acostumemos rápido a ele....