COM LICENÇA, TÔ POETIZANDO A VIDA!...

Prosas, crônicas, poesias e o melhor de Patos de Minas! Aqui tem um pouco de tudo e com muito bom humor... Se você chegou até aqui, prepare-se para se comunicar... Pode entrar... a casa é sua! [soniamel@gmail.com]

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Terra Blog

Arquivo de: Agosto 2007

26.08.07

ComLicença pra dar uma rapidinha...


Porque eu fazia do amor um cálculo matemático errado: pensava que, somando as compreensões, eu amava. Não sabia que, somando as incompreensões é que se ama verdadeiramente. Porque eu, só por ter tido carinho, pensei que amar é fácil.
Clarice Lispector

ComLicença para refazer minhas contas...

25.08.07

ComLicença porque ela é a Dona da Pena...

Desde que meu amigo Antonio cunhou Martha Medeiros com o pertinente apelido de "a dona da pena", não consigo pensar nela de outro modo... Para acabar de corrobar com essa idéia, recebo via e-mail de outro amigo, o talentoso ator-escritor e ser humano Humberto Mello, esse texto que vim especialmente para dividir com voces...

NORMOSE

Lendo uma entrevista do professor Hermógenes, 86 anos, considerado o fundador da ioga no Brasil, ouvi uma palavra inventada por ele que me pareceu muito procedente: ele disse que o ser humano está sofrendo de normose, a doença de ser normal. Todo mundo quer se encaixar num padrão. Só que o padrão propagado não é exatamente fácil de alcançar. O sujeito "normal" é magro, alegre, belo, sociável, e bem-sucedido. Quem não se "normaliza" acaba adoecendo. A angústia de não ser o que os outros esperam de nós gera bulimias, depressões, síndromes do pânico e outras manifestações de não enquadramento. A pergunta a ser feita é: quem espera o que de nós? Quem são esses ditadores de comportamento a quem estamos outorgando tanto poder sobre nossas vidas?

Eles não existem. Nenhum João, Zé ou Ana bate à sua porta exigindo que você seja assim ou assado. Quem nos exige é uma coletividade abstrata que ganha "presença" através de modelos de comportamento amplamente divulgados. Só que não existe lei que obrigue você a ser do mesmo jeito que todos, seja lá quem for todos. Melhor se preocupar em ser você mesmo.

A normose não é brincadeira. Ela estimula a inveja, a auto-depreciação e a ânsia de querer o que não se precisa. Você precisa de quantos pares de sapato? Comparecer em quantas festas por mês? Pesar quantos quilos até o verão chegar?

Não é necessário fazer curso de nada para aprender a se desapegar de exigências fictícias. Um pouco de auto-estima basta. Pense nas pessoas que você mais admira: não são as que seguem todas as regras bovinamente, e sim aquelas que desenvolveram personalidade própria e arcaram com os riscos de viver uma vida a seu modo. Criaram o seu "normal" e jogaram fora a fórmula, não patentearam, não passaram adiante. O normal de cada um tem que ser original. Não adianta querer tomar para si as ilusões e desejos dos outros. É fraude. E uma vida fraudulenta faz sofrer demais.

Eu não sou filiada, seguidora, fiel, ou discípula de nenhuma religião ou crença, mas simpatizo cada vez mais com quem nos ajuda a remover obstáculos mentais e emocionais, e a viver de forma mais íntegra, simples e sincera. Por isso divulgo o alerta: a normose está doutrinando erradamente muitos homens e mulheres que poderiam, se quisessem, ser bem mais autênticos e felizes.

Martha Medeiros (05.08.07-Jornal Zero Hora-P.Alegre-RS)

22.08.07

comLicença para o meu melhor bom diaaaa!!!!

Supondo que alguém me lê, insisto em postar aqui as coisas que gosto ou que imagino possam ser úteis. E é justamente por pensar nessas coisas que encontrei, por aí, esse poema de Jorge Luís Borges, chamado AS COISAS... voce acredita em coincidências? Eu não... 

As Coisas
A bengala, as moedas, o chaveiro,
a dócil fechadura, essas tardias
notas que não lerão meus poucos dias
que restam, o baralho e o tabuleiro,
um livro e dentro dele a manuseada
violeta, monumento de uma tarde
por certo inolvidável e olvidada,
o rubro espelho ocidental em que arde
uma ilusória aurora. Quantas coisas,
limas, ombreiras, atlas, copos, cravos,
nos servem como tácitos escravos,
cegas e estranhamente sigilosas!
Durarão para além do nosso olvido
e nunca saberão que somos idos.

Tenham um dia excelente, com muita paz, amor, bom humor e poesias!!!

bjks

Sônia Amélia

20.08.07

ComLicença porque Internet também é cultura!!!

Aprenda uma palavrinha nova... Oxímoro!!! Você jamais irá se esquecer dela depois do que ler aqui...

[...] o Brasil é país um oximoroso! É que oxímoro, segundo o dicionário de Antonio Houaiss, é uma figura de retórica na qual se combinam palavras de sentido oposto que parecem excluir-se mutuamente, mas que, no contexto, reforçam uma expressão. Por exemplo: “o grito do silêncio”, “silêncio ensurdecedor”, “obscura claridade”, “ilustre desconhecido”. Aurélio Buarque também registra o vocábulo exemplificando com a inspirada expressão “inocente culpa” de Cecília Meireles incluída na página 486 do livro “Obras Poéticas”. Segundo Millor Fernandes, um excelente exemplo de oxímoro é “Escola Superior de Guerra” que, por ser de guerra não pode ser superior. Nessa mesma linha o professor de português Sérgio Rodrigues registra sua descoberta de um Brasil oximoroso onde o debate que domina a mídia dos nossos dias é o lamentável oximoro “Conselho de Ética do Senado” sobre o qual o mestre pergunta: Que Conselho? Que ética? Que Senado?.

Para ler o texto completo, que por sinal é imperdível, acesse:

http://portalamazonia.globo.com/detalhe-artigo.php?idArtigo=316

E boa aprendizagem...

ComLicença pra compartilhar com voces...

O Assassino Era o Escriba

[Paulo Leminski]

Meu professor de análise sintática era o tipo do sujeito inexistente.
Um pleonasmo, o principal predicado de sua vida,
regular como um paradigma da 1ª conjunção.
Entre uma oração subordinada e um adjunto adverbial,
ele não tinha dúvidas: sempre achava um jeito
assindético de nos torturar com um aposto.
Casou com uma regência.
Foi infeliz.
Era possessivo como um pronome.
E ela era bitransitiva.
Tentou ir para os EUA.
Não deu.
Acharam um artigo indefinido na sua bagagem.
A interjeição do bigode declinava partículas expletivas,
conectivos e agentes da passiva o tempo todo.
Um dia, matei-o com um objeto direto na cabeça...

Deu pra sentir a crítica que o autor faz àqueles conteúdos totalmente atípicos que os professores de português ainda acreditam serem necessários fazer com que os alunos aprendam??? Que interessante seria contextualizar, ou seja, partir da realidade do aluno, ou, na pior das hipóteses, aproximar conteúdo/realidade do uso da língua...

Ainda veremos isso???

Leminski não é o único, hem? Bom pensar sobre...

Abçs

Sônia Amélia