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Terra Blog

Arquivo de: Novembro 2007, 05

05.11.07

ComLicença pras profecias de Otto Rene Castillo...

Intelectuais apolíticos
por Otto Rene Castillo [*]


Um dia,
os intelectuais
apolíticos
do meu país
serão interrogados
pelo homem
simples
do nosso povo

Serão perguntados
sobre o que fizeram
quando
a pátria se apagava
lentamente,
como uma fogueira frágil,
pequena e só.

Não serão interrogados
sobre os seus trajes,
nem acerca das suas longas
siestas
após o almoço,
tão pouco sobre os seus estéreis
combates com o nada,
nem sobre sua ontológica
maneira
de chegar às moedas.
Ninguém os interrogará
acerca da mitologia grega,
nem sobre o asco
que sentiram de si,
quando alguém, no seu fundo,
dispunha-se a morrer covardemente.
Ninguém lhes perguntará
sobre suas justificações
absurdas,
crescidas à sombra
de uma mentira rotunda.
Nesse dia virão
os homens simples.
Os que nunca couberam
nos livros e versos
dos intelectuais apolíticos,
mas que vinham todos os dias
trazer-lhes o leite e o pão,
os ovos e as tortilhas,
os que costuravam a roupa,
os que manejavam os carros,
cuidavam dos seus cães e jardins,
e para eles trabalhavam,
e perguntarão,
"Que fizestes quando os pobres
sofriam e neles se queimava,
gravemente, a ternura e a vida?"

Intelectuais apolíticos
do meu doce país,
nada podereis responder.

Um abutre de silêncio vos devorará
as entranhas.
Vos roerá a alma
vossa própria miséria.
E calareis,
envergonhados de vós próprios.


[*] Revolucionário guatemalteco (1936-1967), guerrilheiro e poeta. A seguir ao golpe de 1954 patrocinado pela CIA, que derrubou o governo democrático de Jacobo Arbenz , Castillo teve de exilar-se em El Salvador. Voltou à Guatemala em 1964, onde militou no Partido dos Trabalhadores, fundou o Teatro Experimental e escreveu numerosos poemas. No mesmo ano foi preso mas conseguiu fugir. Regressou ao exílio, desta vez na Europa. Posteriormente retornou secretamente à Guatemala e incorporou-se a um dos movimentos guerrilheiros que operavam nas montanhas de Zacapa. Em 1967, Castillo e outros combatentes revolucionários foram capturados. Ele, juntamente com camaradas seus e camponeses locais, foram brutalmente torturados e a seguir queimados vivos.

Este poema encontra-se em http://resistir.info/

ComLicença pra frase da semana...rs...

E eu, que estava quase morrendo,

pensando que era por causa da cachaça...

ERA O LEITE!!!

hehehe... melhor parar de tomar leite...rs....

Bjks com desejo enorme que seus dias sejam de paz, de amor, bom humor e de muita poesia...

Sônia Amélia


ComLicença para uma prece pra lua...

Prece à Lua
Zena Maciel


Lua....lua...lua....
Vem para a rua
Sai toda nua e pousa
na palma da minha mão
Beija o coração desta poeta
e escuta minha prece
Ilumina esta alma escura,
tão obscena e impura
que caminha por estradas obscuras
e pisa as folhas secas da solidão
Rasga estes versos aflitos
aleatoriamente escritos
com a pena negra da desilusão
Reza pelos sonhos benditos,
lembra que a poesia
é o bálsamo da ilusão
Acaricia este ser vagabundo,
que chora pelas esquinas do mundo
implorando um novo alvorecer
Cubra as infectas feridas
com o néctar da vida e
cicatriza este triste sofrer
Acenda a luz do meu viver
Chega de tanto padecer
No útero do amanhecer
quero poder renascer
Na taça da felicidade o mel do
prazer quero beber
No colo dos desejos lascivos
quero morrer, para aliviar
a angústia desta dor.
Recife-PE