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Mais uma vez a poetiza Águida nos brinda com a sensibilidade de suas palavras... Parabéns, Aguida... Que você continue essa pessoa inspirada, disposta a colorir nossos dias com a magia que emana de sua poesia...
Bjks da amiga Sônia Amélia.
Pessoas e pessoas
[Águida Hettwer]
Pessoas passam em nossas vidas,
Algumas são superficiais,
Imóveis e sem perfume, feito flores artificiais,
Não transmitem nada além de seus egos inflamados.
Outras, porém, vão além,
Deixam marcas profundas,
Alimentam a alma com amor,
Edificam moradas eternas.
O coração é um colecionador de sentimentos,
Sensível e frágil sabe identificar esses seres
Especiais, cuja missão na terra,
Vieram para realçar a beleza da vida.
Pessoas, com letra maiúscula,
Sabem surpreender e acarinhar,
Sem fazer esforço, pois são ímpares,
Em tudo que fazem.
Pessoas especiais deixam rastros de saudades,
Por onde passam,
Nem mesmo o efêmero tempo,
Pode extinguir.
Ao lado delas o dia transforma-se
Em perfeita harmonia com a natureza e a vida,
Num colorido especial.

criado por Soniamel
05:59:53A Boemia Triste
[Olegário Mariano]
Éramos três em torno à mesa
Três que a vida na sua trama de ilusões urdida
Juntou no mesmo afeto e na mesma viúves,
Um músico, um pintor e um poeta.
Éramos três...
O primeiro falou:
“Veio da melodia de um noturno
a mulher que me fez triste assim
amei-a como se ama a fantasia e ela, sendo mulher,
fugiu de mim.
Hoje minh’alma é um piano adormecido
que mão nenhuma acordará talvez
É por isso que vivo incompreendido e sou mais desgraçado que vocês.”
Disse o segundo:
“Meu amigo, a sorte não sei dos dois para qual foi pior.
A mim levou-me a morte o que eu tinha na vida de melhor:
a força, a graça, o espírito, a beleza, a estátua humana olímpica e pagã...
espelho natural da Natureza, nota da flauta mágica de Pan.
Morreu com ela a vida, a luz, a cor, manhã de sol e tarde de ametista,
todo delírio de um impressionista,
a paleta e a esperança de um pintor.”
Fez-se um grande silêncio em torno à mesa...
Silêncio de saudade e de tristeza...
O terceiro baixou os olhos devagar...
Disse um nome baixinho e não pôde falar.
Olegário Mariano Carneiro da Cunha nasceu na cidade de Recife, Pernambuco, a 24 de março de 1889. Faleceu no Rio de Janeiro a 28 de novembro de 1958. Membro da Academia Brasileira de Letras. Publicou: gelus, edição do autor, 1911; Sonetos, edição do autor, 1912; Evangelho da sombra e do silêncio, edição do autor, 1912; Água corrente, Pimenta de Melo & Cia., 1918; Últimas cigarras, ed. Pimenta de Melo & Cia., 1920; Castelos na areia, Pimenta de Melo & Cia., 1922; Cidade maravilhosa, Pimenta de Melo & Cia., 1923; Ba-ta-clan, Benjamin Costellat & Micolis editores, 1924; Canto da minha terra, Pimenta de Melo & Cia., 1930; Destino, Editora Americana, 1931; Teatro, Cia. Editora Nacional, 1932; Vida, caixa de brinquedos, Editora Guanabara; O enamorado da vida, Editora Guanabara, 1937; Da cadeira 21, Editora A Noite, 1938; Quando vem baixando o crepúsculo, Livraria José Olympio, 1945; A vida que já vivi, Portugália, Lisboa, 1945; Cantigas de encurtar caminho, Livraria José Olympio Editora, 1949; Tangará conta histórias, Editora Melhoramentos, 1953; Correio sentimental, Livros de Portugal; Toda uma vida de poesia, 2 volumes, Livraria José Olympio Editora, 1957.

criado por Soniamel
05:56:03