COM LICENÇA, TÔ POETIZANDO A VIDA!...

Prosas, crônicas, poesias e o melhor de Patos de Minas! Aqui tem um pouco de tudo e com muito bom humor... Se você chegou até aqui, prepare-se para se comunicar... Pode entrar... a casa é sua! [soniamel@gmail.com]

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Terra Blog

Arquivo de: Outubro 2007, 23

23.10.07

ComLicença pra sensibilidade da Águida Hettwer...

Mais uma vez a poetiza Águida nos brinda com a sensibilidade de suas palavras... Parabéns, Aguida... Que você continue essa pessoa inspirada, disposta a colorir nossos dias com  a magia que emana de sua poesia...

Bjks da amiga Sônia Amélia.

Pessoas e pessoas

[Águida Hettwer]





Pessoas passam em nossas vidas,

Algumas são superficiais,

Imóveis e sem perfume, feito flores artificiais,

Não transmitem nada além de seus egos inflamados.



Outras, porém, vão além,

Deixam marcas profundas,

Alimentam a alma com amor,

Edificam moradas eternas.



O coração é um colecionador de sentimentos,

Sensível e frágil sabe identificar esses seres

Especiais, cuja missão na terra,

Vieram para realçar a beleza da vida.



Pessoas, com letra maiúscula,

Sabem surpreender e acarinhar,

Sem fazer esforço, pois são ímpares,

Em tudo que fazem.



Pessoas especiais deixam rastros de saudades,

Por onde passam,

Nem mesmo o efêmero tempo,

Pode extinguir.



Ao lado delas o dia transforma-se

Em perfeita harmonia com a natureza e a vida,

Num colorido especial.



ComLicença pra Boemia Triste de Olegario Mariano.

A Boemia Triste


[Olegário Mariano]


Éramos três em torno à mesa

Três que a vida na sua trama de ilusões urdida

Juntou no mesmo afeto e na mesma viúves,

Um músico, um pintor e um poeta.



Éramos três...

O primeiro falou:

“Veio da melodia de um noturno

a mulher que me fez triste assim

amei-a como se ama a fantasia e ela, sendo mulher,

fugiu de mim.

Hoje minh’alma é um piano adormecido

que mão nenhuma acordará talvez

É por isso que vivo incompreendido e sou mais desgraçado que vocês.”


Disse o segundo:

“Meu amigo, a sorte não sei dos dois para qual foi pior.

A mim levou-me a morte o que eu tinha na vida de melhor:

a força, a graça, o espírito, a beleza, a estátua humana olímpica e pagã...

espelho natural da Natureza, nota da flauta mágica de Pan.

Morreu com ela a vida, a luz, a cor, manhã de sol e tarde de ametista,

todo delírio de um impressionista,

a paleta e a esperança de um pintor.”


Fez-se um grande silêncio em torno à mesa...

Silêncio de saudade e de tristeza...

O terceiro baixou os olhos devagar...

Disse um nome baixinho e não pôde falar.



Olegário Mariano Carneiro da Cunha nasceu na cidade de Recife, Pernambuco, a 24 de março de 1889. Faleceu no Rio de Janeiro a 28 de novembro de 1958. Membro da Academia Brasileira de Letras. Publicou: gelus, edição do autor, 1911; Sonetos, edição do autor, 1912; Evangelho da sombra e do silêncio, edição do autor, 1912; Água corrente, Pimenta de Melo & Cia., 1918; Últimas cigarras, ed. Pimenta de Melo & Cia., 1920; Castelos na areia, Pimenta de Melo & Cia., 1922; Cidade maravilhosa, Pimenta de Melo & Cia., 1923; Ba-ta-clan, Benjamin Costellat & Micolis editores, 1924; Canto da minha terra, Pimenta de Melo & Cia., 1930; Destino, Editora Americana, 1931; Teatro, Cia. Editora Nacional, 1932; Vida, caixa de brinquedos, Editora Guanabara; O enamorado da vida, Editora Guanabara, 1937; Da cadeira 21, Editora A Noite, 1938; Quando vem baixando o crepúsculo, Livraria José Olympio, 1945; A vida que já vivi, Portugália, Lisboa, 1945; Cantigas de encurtar caminho, Livraria José Olympio Editora, 1949; Tangará conta histórias, Editora Melhoramentos, 1953; Correio sentimental, Livros de Portugal; Toda uma vida de poesia, 2 volumes, Livraria José Olympio Editora, 1957.