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Terra Blog

Arquivo de: Setembro 2007, 12

12.09.07

ComLicença pra fazer uma perguntinha...

Senador Tasso, posso lhe chamar de boneca?
Renato Rovai
Jornalista, editor da Revista Fórum.

Não é a primeira vez que os grupos gays pegam no pé do exemplar senador Tasso Jereissati. Para quem não sabe, o dito senador é o presidente nacional do PSDB, os tucanos, aquele partido que se proclama o pai da ética, da moral, dos bons costumes e de um monte de outras coisas boas mais.

Mas escrevo essa nota só para não deixar passar batido o acontecido há alguns dias. Dia em que o senador Tasso ficou muito bravinho no Senado e resolveu ir para cima do seu colega Almeida Lima (PMDB-SE). Fazendo gestos afeminados, ele berrava: "calma, boneca, calma boneca...".

Como nossa mídia deixou a história passar batido e nenhum repórter ficou a lhe perguntar o por que do ataque, decidi devolver a brincadeira. De duas uma: ou ele agiu de forma escrota e mau-caráter, demonstrando toda a origem de sua laia e do seu preconceito, ao, num debate político (vejamos, político!!!) tentar "agredir" a um colega "acusando-lhe" de homossexual.

Como se o fato de o colega vir a ser homossexual lhe desmerecesse em algo. Ou Tasso Jeiressati não quis dizer nada disso e só chamou Almeida Lima de boneca por carinho... Por sempre ter sentido simpatia tanto pelos homossexuais como pelo brinquedo preferido das meninas.

Se foi isso deixo uma pergunta ao senador: posso lhe chamar de boneca na próxima vez que nos encontrarmos?

Eu, daqui, lhe autorizo a me chamar de gay, viado, boneca ou o que a sua história e preconceito assim considerar mais conveniente. Não me incomodará. Afinal, meu preconceito é contra políticos barangueiros, que vivem de fazer discursos moralistas e espalhar preconceitos. Contra as bonecas, não tenho nada.

E não acho palavra feia. Posso lhe chamar de boneca, senador?

Também quero chamá-lo de boneca... Será que posso???

Xêroooos... Muitos...

Sônia Amélia

ComLicença para as perdas da Lu...

Apresentando a Lu Ferretti, uma amiga especialíssima, com quem tenho o prazer de estar frequentemente em contato virtual. Sensível, leve, geralmente bem humorados, seus escritos normalmente se acomodam no fundo do meu coração...

Compartilho esse texto "De Perdas" que "surrupiei" na página http://www.spagnollo.arq.br/lu/De_Perdas.htm

De perdas
-luferretti-


Mudanças constantes de cidade e estado, a vida toda, deixaram-me com um espaço confuso onde sempre me perco. Tenho problemas com perdas.
Nestas mudanças eu perdia a vizinha, os amigos, os locais preferidos, o
ginecologista, o dentista, todas as plantas, a flor que vinha me espiar em cima do muro.
O pássaro cantor.
Até os animais de estimação, às vezes.
Eu me perdia de mim. Foram perdas demais.
Com alguns ganhos; isso estou colocando na balança de valores agora.
Ou apenas relevando as perdas para entender os ganhos.
Não tenho raízes sólidas, culturais, sociais, de nada.
Também perdi os preconceitos.E muitos medos.
Paulista que chama mandioca de macaxeira, garoto de guri e "risca" o lápis, quando quer afinar a ponta, entre outras coisas. Pessoas de uma outra região, ouvindo-me falar olham-me estranhamente, às vezes. Meu sotaque é misturado.
Perguntam-me de onde sou. Creio que deste mundo.
Somente a família é e foi sempre uma constante.
O resto é uma mistura que me fez arrogante.
Talvez para esconder faltas. Uma forma de defesa.
Perdi até o jeito de conviver assiduamente com as mesmas pessoas.
Ontem recebi duas amigas que não via há muito tempo.
Perdas de convivência.
Muitas conversas para se colocar em dia. Não deu tempo para todas.
Recordar velhas situações, rir das novas.
Havia me esquecido o que é poder "lavar a alma" com amigas de 20
anos, sem medo de olhares "engrossados".
Vida e sofrimentos partilhados e compreendidos, nos dão perdão antecipado.
Estamos envelhecendo e notamos algumas diferenças mútuas que assustam, entre outras tão nossas conhecidas.
Uma lágrima que cai disfarçada, se transforma em risada por outro motivo qualquer, conservando a velha jovialidade de antigamente.
Somos juntas... almas gêmeas, onde nada se esconde, tudo se descobre, até sexo mal feito.Pois é...
Falamos sobre o sentido da amizade, este sentimento que precisa ser
trabalhado constantemente até atingir o ponto de superação. Daí , meias palavras são entendidas inteiras, sem necessidade de grandes explicações.E trabalha-lo não se faz mais tão necessário.
Como é bom isso. Sinceridades.
Falamos de saúde, viagens, compras, filhos... claro.
Sobre Lya Luft, Martha Medeiros e outras mulheres maravilhosas que acabam fazendo parte de nossas vidas, nas leituras de cada dia.
Falamos de algumas novas descobertas, que fazemos até tarde demais,
sobre os parceiros no casamento, tornando-se nossos amigos mais íntimos, quase irmãos.
Os melhores. Até mesmo os ex.
E também sobre homens em geral. Porque envelhecemos mas não perdemos o sentido da sensualidade, feminilidade e nada do que possa nos lançar para um canto como objetos em desuso.
Somos mulheres, somos eternas. E com amigas, muitas vezes sentimos, pela compreensão, que podemos chegar às nuvens.

Que bom. E por tanta afinidade tanta amizade, tanta empatia... e por decepções com alguns, digo alguns, machos arrogantes, perigoso fica mudarmo-nos de lado totalmente. Apenas uma brincadeira irreverente, creia, para terminar um registro de amor compreendido por amigas muito especiais, perseverando num clima de descontração.
Nas perdas cotidianas da vida, encontramos ganhos para sempre...

( Para E e R , amigas para sempre.)



ComLicença pra falar o que mais dói...

Já passei por dois casamentos e fui protagonista de outras relações, digamos, menos sérias, ainda que não menos importantes.

Descobri, com isso, que não importa o quilate do envolvimento, ambas as partes saem perdendo...

Claro que o tempo, o mais antigo e sábio conselheiro, é também remédio para todas as fossas daí provenientes.

Entretanto, se se perde, por um lado, ganha-se, por outro.

No meu caso, acumulei milhas de experiência. Um Know How que, contudo, não te deixa imune à dor. Principalmente a certas "dorzinhas"...

Algumas são latejantes, oriundas que são do desprezo, da humilhação de sermos rejeitados, trocados (quando não "mal-trocados"), etc.

Outras, persistentes, insistem em nos abalar quando revemos tudo porque passamos. Outras, ainda, nos corroem por dentro, ao imgaginarmos o suposto ser amado, com outro/a.

Há também aquela dor que se torna aguda e atinge diretamente a nossa consciência, quando admitimos, ainda que só para nós mesmos, que fomos os responsaveis por uma escolha errada.

Porém, considero como a pior de todas, aquela que permitimos tornar-se crônica, na medida em que, conscientes de que escolhemos errado, persistimos no erro.

Tomar decisões também não é fácil. Portanto, ao contrário, não nos adoece quando acontece de forma acertada. Obviamente que toda decisão exige que estejamos preparados para assumir suas consequências. E para lembrarmos que, nem sempre, a decisão certa é exatamente a que nossos corações gostariam que tomássemos.

Quando a razão e o coração começam a se contrapor, está na hora de refletir. De analisar se o caminho a seguir é aquele mesmo, se é aquela a pessoa que queremos para nos acompanhar nele. Caso contrário, a dor, inevitavelmente nos acompanhará por uma longa trajetória dessa caminhada...

Meu caminho pelo mundo, eu mesmo traço ...

Aquele abraço

Sônia Amélia