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Terra Blog

Arquivo de: Julho 2007, 13

13.07.07

Comlicença para a Oração de Neruda

ORAÇÃO DA NOITE

Sem lua e sem amor, como dois órfãos
cerraram-se os meus olhos. Veio vindo
um estremecimento desolado,
a vibração fugaz de um calafrio.

Pela noite deserta e fragorosa
eu relembrei a funda claridade da lua
derramando o alvo leite sobre todas as coisas
com uma branda pena, quase sem amargura.

E numa inquietação de rogos humilhados
de bruços eu tombei por sobre a terra boa
e debaixo dos céus pelos homens cansados
me prometi ser bom como uma lua cheia.

E aos homens que vão sós com sua solidão
descer para lhes dar o bem da claridão.

E que bebam, que bebam dessa fonte serena
sem ódio, sem cansaço, e sem mágoa nem pena.

(Pablo Neruda - tradução de Thiago de Mello -
do livro: Cadernos de Temucos)