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Olho-te quando passas.
Tão cheia de graça no andar.
Confesso-te, senhora,
o meu suspirar!
São lindos teus cabelos,
que esconde brancos fios.
Este ar sério me encanta,
em sonhos vadios.
Teus seios fartos,
de colo amorenado.
Teu cheiro, senhora,
traz convite ao pecado.
Teus olhos que não desviam, sequer um segundo.
Para mirar nos meus,
com um olhar profundo.
E, com eles conversar,
um recado talvez.
Que posso eu sonhar,
ou te esquecer de vez?
Mas segues tua vida,
em belo corpo.
Semblante sério,
grisalhos fios.
Entre óculos, castanhos olhos
de loba em cio!
Nos cinqüenta e poucos anos,
que a vida te deu com graça!
Quero que saibas, senhora,
que me arrepia, se passas.
Casada? Não sei!
Mas queria adivinhar ,
quem meus sonhos, em realidade,
estaria a te tocar?
Para mim, és longe estrela.
Que só o pensamento alcança.
Como a bala no baleiro,
no olhar de uma criança.
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criado por Soniamel
08:09:10